“De maneira especial nos dedicaremos à Palavra de Deus”[1]

Mais uma vez; mais um ano! Por graça de Deus, nos dias 20 e 21 deste mês de setembro tivemos a Jornada Bíblica em nosso Seminário brasileiro. É formoso e gratificante ao mesmo tempo constatar como “o nosso”[2]  goza de uma eficácia particular. Dizemos isso porque em nossas Constituições, nº 16 lê-se: «De maneira especial, dedicaremo-nos a (pregação da) Palavra de Deus mais cortante que espada de dois gumes (Hb 4,12) em todas as suas formas. No estudo e nos ensinamentos da Sagrada Escritura (a Teologia, os Santos Padres, a Liturgia, a Catequese, o Ecumenismo, etc.)».

Nesta III Jornada Bíblica tratamos sobre o Evangelho de São João, de maneira particular os capítulos de 5 a 10. Nestes capítulos a base comum ou contexto são as festas principais dos judeus (Festa da Páscoa, das Tendas, Pentecostes, Dedicação do Templo e poderíamos incluir a observância do sábado). Por esse motivo foi uma boa ocasião para nos introduzir no Antigo Testamento e tratar sobre o Calendário Litúrgico da Antiga Aliança. De todo o modo, não foram os únicos temas estudados, já que era inevitável deixar de lado o Prólogo do Santo Evangelista onde contêm as tremendas palavras: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”  (Jo 1,14); tampouco faltaram temas arqueológicos como uma exposição sobre «Os manuscritos do mar Morto», conhecidos como Qumran, em relação à historicidade e surgimento dos Santos Evangelhos e outras exposições como por exemplo, sobre o Santo Sepulcro, que foi aberto e restaurado (em concreto a edicula) entre março de 2016 e março de 2017; também não faltaram alguns temas de Teologia Bíblica como “A Hora de Jesus” no quarto Evangelho.

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Sempre buscando emular à casa mãe preparamos o melhor que pudemos a exposição dos códices, papiros, edições críticas em hebreu, grego e latim do texto sagrado, como diversas versões em várias línguas, onde merece uma menção especial a tradução ao Tok Psin dos Santos Evangelhos preparada por nossos missionários que se encontram no continente azul. Também preparou-se uma pequena exposição de mapas bíblicos e maquetes sobre o calendário litúrgico judeu.

Enquanto aos expositores contamos com a participação de sete professores de nosso Seminário (entre os quais está nosso Provincial, Pe. Emílio Rossi, IVE e nossos monges, os Pe. Alejandro Cunietti, IVE e Pe. Esteban Olivares, IVE), nove seminaristas de Teologia e uma Irmã SSVM, cabe destacar que é a primeira vez que uma servidora participa das Jornadas Bíblicas no Brasil. Não podemos deixar passar o apoio brindado por nossos padres biblistas[3]  que nos orientaram indicando-nos bibliografia para estudo e nos enviando artigos de autoria própria como foi o caso do Pe. Dr. Carlos Pereira, IVE, que nos iluminou muitíssimo porque são excelente exemplo de diálogo entre os exegetas modernos e Santo Tomás, Magister In Sacra Pagina, a quem procuramos seguir nesses dias de estudo.

Em relação a Santo Tomas de Aquino exegeta, também merece uma menção especial porque pode-se dizer que foi um dos grandes frutos destas Jornadas conhecê-lo e seguí-lo como nos pede explicitamente nosso direito próprio: “Tenha-se como modelo e fonte do estudo da Sagrada Escritura a Santo Tomás exegeta, que foi aquele que mais penetrou o sentido das Escrituras”[4]. Deste modo pudemos mostrar a nossos religiosos de modo concreto como podemos seguir ao Aquinate na interpretação da Palavra de Deus. Não quiséramos cansá-los, mas é uma grande alegria poder contar-lhes que nossos seminaristas puderam beber da fonte mesma, quer dizer, leram o comentário (Super Evangelium S. Ioannis lectura) do Angélico em sua língua original (o latim).

Este foi um dos frutos que queremos agradecer a Deus por um lado, e por outro partilhar nossa alegria de constatar uma vez mais a eficácia “do nosso”, neste caso as Jornadas Bíblicas.

Finalmente, enviamos-lhe  um pequeno vídeo que reflete o que foram estas Jornadas Biblicas que, sobretudo, mostram o lugar, valor e força que tem as Sagradas Escrituras para nossa querida família religiosa[5].

Art. O lugar da Sagrada Escritura em nosso direito próprio.Elas podem te dar a sabedoria que conduz à salvação”. 2Tim 3,15

Padres do Seminário Maior São José da Anchieta, São Paulo – Brasil

Província “Nossa Senhora Aparecida”

http://biblia.verboencarnado.net/2017/08/23/lugar-la-sagrada-escritura-derecho-propio/

http://vidareligiosa.org/vidareligiosa/index.php/categorias/vida-religiosa-y-biblia/item/37-el-lugar-de-la-sagrada-escritura-en-nuestro-derecho-propio

[1] Constituições, 16.

[2] Expressão usada inúmeras vezes por nosso Superior Geral, o Pe. Gustavo Nieto, IVE. Somente até a Carta circular nº 23 usa a expressão 22 vezes. (Cf. Na Carta Circular nº 12, 2 vezes; na Carta Circular nº 13, 4 vezes; na Carta Circular nº 14, 6 vezes; na Carta Circular nº 15, 2 vezes; na Carta Circular nº 17, 2 vezes; na Carta Circular nº 18, 2 vezes; na Carta Circular nº 19, uma vez; na Carta Circular nº 22, uma vez; na Carta Circular nº 23, 2 vezes). Quanto ao Apostolado entendo que “o nosso” é a missão canônica que nos encomendou a Igreja.

[3] Em concreto queremos agradecer aos Padres Gonzálo Ruíz, Ricardo Clarey, Miguel Á. Fuentes, José Marcone e Gabriel Barros.

[4] Diretório de Seminários Maiores, 331.

[5] Diretório de Espiritualidade, 239: «A Sagrada Escritura deve ser a alma de nossa alma, de nossa espiritualidade, teología, pregação, catequese e pastoral».

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